Tenho pensado em certas questões que nos cercam ao longo da vida. E ainda hoje, na aula de filosofia, a Gestalt-terapia me fez atentar mais ainda para isso. Ela simplesmente não considera tão importante o passado, mas o agora. A própria palavra Gestalt se refere, bruscamente, ao que é colocado diante dos olhos. É mais importante descrever do que explicar: o “como” precede o “porque”. O essencial é o processo que está se desenvolvendo aqui e agora.
Daí nos deparamos com algo questionador: Será que o passado é assim tão determinístico? Até que ponto minhas vivências passadas têm esse poder iminente sobre o que sou? E até que ponto cabe (se é que cabe, em algum momento) responsabilizar meu passado pelo meu presente ou futuro?
Por estes dias as pessoas estão viciadas nos medos do passado. Todas as suas dúvidas, questões, ou indecisões têm uma história mal resolvida no passado, um fantasma escondido no armário da memória, um complexo com o qual não convivem bem. É a sua muleta, que se há de fazer? Mas onde diabo fomos buscar essa idéia peregrina de que conviver com os nossos medos do passado, ou com os fantasmas que nos assombram o presente é razão suficiente para evitar erros no futuro? Escarafunchando no passado as razões para as coisas do presente e, com sorte, a solução do futuro.
Viver não é simples e está longe de ser fácil. Não será mais justo, se calhar mais acertado, perceber que se as pessoas querem algo, e depois deixam de o querer e isso não deve ser visto como incoerência, ou imputado a outra coisa que não seja o seu próprio desejo, ou vontade!?
Tornemo-nos senhores de nós mesmos! Ou, no mínimo, responsáveis pelo que somos, escolhemos, cremos, fazemos. Porque se você parar pra pensar, no final das contas é você e você. E o seu prestar de contas será individual, porque as conseqüências também serão só suas.
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